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Mortalidade infantil no Brasil: um gradiente que persiste

A taxa nacional ronda 12,6 por mil nascidos vivos — mas esconde uma distância de duas vezes entre o Sul e o Norte/Nordeste. Cruzando SINASC e SIM.

PF

Pedro Fernandes

08 de abril de 2026 · 7 min de leitura

Resumo

Combinando nascidos vivos do SINASC com óbitos de menores de 1 ano do SIM, estimamos a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) por UF. A média nacional de ~12,6‰ convive com extremos que vão de ~9‰ a ~20‰, expondo um gradiente socioespacial persistente.

Dados e métodos

A Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) — óbitos de menores de 1 ano por mil nascidos vivos — é um dos indicadores mais sensíveis de desenvolvimento e de qualidade da atenção materno-infantil. Seu cálculo combina duas fontes: o numerador (óbitos de menores de 1 ano) do SIM e o denominador (nascidos vivos) do SINASC, ambos por município/UF de residência da mãe.

Apresentamos a TMI por UF para o ano mais recente com ambas as bases consolidadas (2022). A TMI nacional situou-se em 12,6 por mil — posição intermediária no contexto latino-americano e ainda distante das menores taxas mundiais (abaixo de 3‰).

O gradiente Norte–Sul

A média nacional é uma abstração. A desagregação por UF revela amplitude de ~1,9 vez entre os extremos — de 9,8‰ (Santa Catarina) a 18,8‰ (Roraima). O gradiente acompanha de perto renda, saneamento e cobertura de pré-natal, e separa nitidamente Sul/Sudeste do Norte/Nordeste.

TMI por UF — extremos e nacional, 2022 (óbitos <1 ano por mil nascidos vivos)
UFTMI (‰)
Roraima (RR)18,8
Amapá (AP)18,1
Sergipe (SE)17,6
Acre (AC)17,2
Piauí (PI)15,8
— Brasil —12,6
Espírito Santo (ES)10,8
Rio Grande do Sul (RS)10,5
Paraná (PR)10,3
Distrito Federal (DF)10,1
Santa Catarina (SC)9,8

Fonte: SIM (óbitos <1 ano) e SINASC (nascidos vivos), 2022. Cinco maiores e cinco menores UFs. Elaboração: Saúde em Dado.

Evitabilidade e sinais na porta de entrada

Parte da mortalidade infantil é evitável por intervenções conhecidas e de baixo custo: pré-natal adequado, atenção qualificada ao parto e vacinação. O componente neonatal (primeiros 28 dias), hoje majoritário, depende sobretudo da assistência ao parto e às primeiras horas de vida.

Os próprios dados do SINASC antecipam risco: baixo peso ao nascer (<2.500 g), prematuridade (<37 semanas) e cobertura de sete ou mais consultas de pré-natal variam fortemente entre municípios e ajudam a explicar diferenças na TMI. A plataforma disponibiliza esses indicadores por município, permitindo focalizar a ação.

Limitações

A TMI municipal é instável em localidades com poucos nascimentos; por isso a apresentamos por UF. O SINASC tem defasagem de consolidação maior que o SIM, limitando o ano mais recente disponível. E o sub-registro de óbitos infantis, historicamente maior no Norte/Nordeste, pode atenuar o gradiente real — ou seja, a desigualdade verdadeira tende a ser ainda maior que a medida.

Referências e fontes

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. SINASC e SIM — microdados 2021–2023. DATASUS.
  2. Saúde em Dado. mart_mortalidade_infantil_uf e mart_natalidade_municipio (v3.1.0). saudeemdado.com/nascimentos.
  3. RIPSA. Indicadores e Dados Básicos para a Saúde no Brasil (IDB): conceitos e aplicações. 2ª ed.
  4. França EB et al. Mortalidade infantil no Brasil: tendências e desigualdades. Rev Bras Epidemiol.
Como citar: Pedro Fernandes. Mortalidade infantil no Brasil: um gradiente que persiste. Saúde em Dado, abril de 2026. Disponível em: https://saudeemdado.com/artigos/mortalidade-infantil-gradiente-regional/. Dados: DataSUS e IBGE (domínio público).

Sobre o autor

Pedro Fernandes

  • · Mestrando em Saúde Coletiva (IAMSPE)
  • · Pós-graduando em Inteligência Artificial e Ciência de Dados em Saúde (Hospital Sírio-Libanês)
  • · Diretor de Tecnologia da Informação — Prefeitura Municipal de Penápolis (SP)

Pesquisador na interseção entre saúde coletiva, ciência de dados e gestão pública. Concebeu e mantém a plataforma Saúde em Dado.