Atenção Primária
Cobertura potencial da Atenção Primária à Saúde por município e mês (2021–2026), a partir do relatório público do Ministério da Saúde (e-Gestor AB): equipes credenciadas, capacidade instalada e evolução no tempo.
Leia isto antes de comparar municípios.
A cobertura potencial é capacidade instalada ÷ população. Como a capacidade de cada equipe é padronizada, municípios pequenos saturam o indicador com poucas equipes — ele passa de 100% em 86% dos municípios e chega a 800%. Nossa análise mostra que, empiricamente, esse indicador se correlaciona fortemente com o porte do município (ρ = −0,54 com a população) e praticamente nada com internações evitáveis (ρ = +0,004).
Use para: acompanhar a evolução de um município no tempo, e contar equipes. Não use para: ranquear municípios ou inferir qualidade da atenção básica. O porquê está detalhado abaixo e na análise metodológica.
Evolução de um município
O uso metodologicamente válido: a mesma população, o mesmo critério, ao longo de 65 competências mensais. Variações aqui refletem mudanças reais de credenciamento de equipes.
Por que não dá para comparar municípios
Agrupando os municípios por porte, a cobertura mediana cai monotonicamente conforme a população cresce. O “gradiente de cobertura” é, na prática, um gradiente de tamanho — não de força da atenção primária.
Leia as colunas de cobertura e ICSAP em conjunto: os municípios com maior cobertura mediana são os menores — e não são os de menor ICSAP. Se a cobertura potencial medisse força da atenção primária, esperaríamos o contrário. Análise completa (correlação bruta, parcial controlando porte e vulnerabilidade, e estratificada) em scripts/analise_cobertura_icsap.py.
Fonte: relatório público de Cobertura da APS (Ministério da Saúde / e-Gestor AB), competências de jan/2021 a mai/2026, cruzado com ICSAP (SIH/DataSUS, 2024) e o índice-proxy de vulnerabilidade (Censo 2022). A população usada no denominador é a estimativa oficial adotada pelo próprio relatório, não a série do projeto. Ver metodologia.