As principais causas de morte no Brasil pela CID-10
Doenças do coração lideram, seguidas por neoplasias e causas respiratórias. Uma leitura das categorias que mais matam e do que elas revelam sobre transição epidemiológica.
Pedro Fernandes
26 de fevereiro de 2026 · 6 min de leitura
Resumo
Classificando 14,4 milhões de óbitos (2015–2024) pelos capítulos e categorias da CID-10, descrevemos o perfil de causas do Brasil contemporâneo: predomínio de doenças crônicas não transmissíveis, com infarto (I21) e pneumonia (J18) entre as categorias mais frequentes.
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) organiza a causa básica de cada óbito em 22 capítulos e milhares de categorias. Processar a causa básica de 14,4 milhões de óbitos entre 2015 e 2024 permite desenhar o mapa do que mata no Brasil — e como isso muda.
No agregado, o capítulo IX (doenças do aparelho circulatório) lidera, seguido pelo capítulo II (neoplasias) e pelo capítulo X (doenças do aparelho respiratório). É a assinatura de um país que completou, em grande medida, a transição epidemiológica: as crônicas não transmissíveis suplantaram as infecciosas como principal causa de morte.
Do capítulo à categoria
Descer ao nível da categoria de três caracteres é revelador. O infarto agudo do miocárdio (I21) figura sistematicamente no topo das causas específicas; a pneumonia (J18) e a doença pulmonar obstrutiva crônica (J44) aparecem com força, assim como o diabetes (E14) e causas do aparelho geniturinário (N39). Em São Paulo, em 2024, essa ordem se confirma nos dados da plataforma.
O capítulo XVIII (sintomas e achados mal definidos, com destaque para R99) merece vigilância: sua participação é um marcador inverso da qualidade da informação — quanto mais óbitos 'mal definidos', menos confiável o perfil de causas daquela localidade.
Por que mapear causas importa
O perfil de causas orienta prioridades: prevenção cardiovascular, rastreamento de câncer, manejo de doenças respiratórias crônicas. Disponibilizar essa distribuição por município, ano e sexo — de forma aberta — aproxima o planejamento da realidade local, em vez de aplicar médias nacionais a contextos heterogêneos.
Referências e fontes
- OMS. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10).
- Saúde em Dado. mart_mortalidade_causa e mart_mortalidade_municipio. saudeemdado.com.
- Schramm J.M.A. et al. Transição epidemiológica e o estudo de carga de doença no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva.
Sobre o autor
Pedro Fernandes
- · Mestrando em Saúde Coletiva (IAMSPE)
- · Pós-graduando em Inteligência Artificial e Ciência de Dados em Saúde (Hospital Sírio-Libanês)
- · Diretor de Tecnologia da Informação — Prefeitura Municipal de Penápolis (SP)
Pesquisador na interseção entre saúde coletiva, ciência de dados e gestão pública. Concebeu e mantém a plataforma Saúde em Dado.