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Internações pelo SUS: para onde vão R$ 63 bilhões

Quase 40 milhões de internações em três anos. Uma leitura do volume, da permanência, da mortalidade hospitalar e do custo por capítulo da CID-10.

PF

Pedro Fernandes

25 de março de 2026 · 8 min de leitura

Resumo

A partir das Autorizações de Internação Hospitalar (SIH/AIH) de 2022 a 2024 — 39,9 milhões de internações e R$ 63,2 bilhões aprovados —, analisamos permanência média (~5 dias), mortalidade intra-hospitalar (~4,4%) e a composição do gasto por grupo de causas.

O Sistema de Informações Hospitalares (SIH) registra cada internação paga pelo SUS por meio da Autorização de Internação Hospitalar (AIH). É a principal janela para entender a produção e o custo da assistência hospitalar pública — que cobre a maioria dos brasileiros, embora não a rede privada/suplementar.

No triênio 2022–2024, contabilizamos 39.883.796 internações por residência do paciente, com valor total aprovado de R$ 63,2 bilhões. Só em 2024 foram 14,2 milhões de internações.

Três indicadores de eficiência e desfecho

A permanência média situou-se em torno de 5,0 dias — número que sintetiza perfil de casos e eficiência de fluxo. A mortalidade intra-hospitalar ficou em cerca de 4,4%, variando enormemente por causa: internações por causas externas e por doenças circulatórias têm desfechos muito distintos de partos ou procedimentos eletivos.

O custo médio por internação, derivável do valor aprovado, é um insumo direto para planejamento. Mas atenção: o valor da AIH reflete a tabela SUS, não o custo real do procedimento — uma limitação importante para análises econômicas.

A composição por capítulo da CID-10

Agrupando o diagnóstico principal pelos capítulos da CID-10, emergem os grandes blocos: gravidez/parto e puerpério (alto volume, baixa mortalidade), doenças do aparelho circulatório e respiratório (alta mortalidade), lesões e causas externas, e neoplasias. Cada bloco demanda respostas de rede distintas — da obstetrícia à oncologia.

A plataforma permite ordenar municípios por volume, permanência, mortalidade ou custo, e filtrar por capítulo — útil para gestores compararem seu município com pares e identificarem desvios.

Limites

O SIH cobre apenas a rede SUS; serviços exclusivamente privados não aparecem. Além disso, a AIH é unidade administrativa, não paciente: reinternações contam múltiplas vezes. Lemos volume de internações, não de pessoas internadas.

Referências e fontes

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. SIH/SUS — AIH. Microdados 2022–2024.
  2. Saúde em Dado. mart_internacoes_municipio. saudeemdado.com/internacoes.
  3. Ministério da Saúde. Manual técnico do SIH e tabela de procedimentos SUS.
Como citar: Pedro Fernandes. Internações pelo SUS: para onde vão R$ 63 bilhões. Saúde em Dado, março de 2026. Disponível em: https://saudeemdado.com/artigos/internacoes-sus-para-onde-vao-63-bilhoes/. Dados: DataSUS e IBGE (domínio público).

Sobre o autor

Pedro Fernandes

  • · Mestrando em Saúde Coletiva (IAMSPE)
  • · Pós-graduando em Inteligência Artificial e Ciência de Dados em Saúde (Hospital Sírio-Libanês)
  • · Diretor de Tecnologia da Informação — Prefeitura Municipal de Penápolis (SP)

Pesquisador na interseção entre saúde coletiva, ciência de dados e gestão pública. Concebeu e mantém a plataforma Saúde em Dado.